O que eu faria para tornar a vida um pouco melhor

por Silvia Paladino

Quando eu fizer referência a “você”, é comigo mesma que estarei falando. Mas, se funcionar para você (o outro ser humano, aí...
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A chama interior em meio a guerras sem fim

por Wagner Hilário

por Wagner Hilário Nossa vontade de apontar dedos e denunciar culpados, em épocas de sangue e lágrimas jorradas de guerras que atingem em cheio nossa pretensa e preconceituosa civilidade, é tão intempestiva, possuída de ira e despida de empatia quanto as vozes que ordenam os primeiros e os últimos disparos. Nosso desejo de julgar o mal no outro é um berro quase libertário. “Quase”... porque o grito não sai por inteiro da boca, deixa um refluxo de fel e guarda, na memória, uma voz impiedosa e sensata que nos sopra, do mais profundo inconsciente, a importância de pensar sobre como apedrejar os outros é uma maneira infantil de expiar a vileza que negamos em nós mesmos. Como reza a canção “Todos estão surdos” de Roberto Carlos, “Não importam os motivos da guerra, a paz ainda é mais importante que eles”. Contudo, quando não se compreende a própria maldade, também não se compreende a própria bondade e nos perdemos numa pseudoverdade que justifica toda selvageria e aniquilação.  Tenho a impressão de que é mais fácil ser sábio quando não se está sob a ameaça de mísseis de alta destruição, mas, ainda assim, deve haver muita sabedoria no front. Certa vez ouvi o jornalista Lourival Sant’Anna, correspondente de guerra e, hoje, analista na CNN, dizer que, em conflitos, encontramos o pior e o melhor do ser humano: a maldade mais primitiva e a generosidade mais celestial. Recentemente, vi ucranianos alimentarem um soldado russo que havia se entregado. Deram-lhe também um celular. Aos prantos, ele ligou para a mãe para dizer que estava “tudo bem”.  Eu tenho refletido sobre todas as razões geopolíticas que ensejaram a guerra russo-ucraniana, o que é contraditório, afinal, se “não importam os motivos da guerra”, por que, na prática, eles recebem mais consideração do que a própria paz? Deve ser porque acreditamos que eles possam nos ajudar, de alguma forma, a encontrar um caminho para ela. Pensando assim, concluo que temos procurado pelos motivos errados e me pergunto: homens capazes de compreender que o verdadeiro conflito deve ser travado e apaziguado dentro de si mesmos fazem guerra com o próximo? A essa pergunta, alguém pode dizer: “Não me venha com esse papo furado”. Até pode ser “furado”, afinal, os tiros de uma guerra acertam muito mais do que alvos físicos. Mas essa visão desencorajadora não me convence. Se me convencesse, eu estaria fadado não apenas a testemunhar a tristeza fúnebre das mães órfãs de seus filhos e o ápice da miséria humana em uma guerra, também estaria fadado a não aprender nada com tudo isso, a não aprender nada sobre mim nem sobre nós. Por isso, não me venham com “O ser humano não vale nada”. Esse distópico argumento é uma das retóricas mais covardes concebidas pelo senso comum para anestesiar as pessoas para a vida. Contra essa frase de destruição em massa, ando com as palavras da psicoterapeuta e escritora alemã Marie-Louise von Franz sempre engatilhadas e pronto para dispará-las: “É fácil ser um idealista ingênuo. É fácil ser um realista cético. Outra coisa é não ter ilusões e ainda manter a sua chama interior.” Leia mais É sobre a vida que queremos ler, ver, ouvir e contar
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Não olhe para baixo

por Silvia Paladino

Eu desejo que você, um dia, permita-se experimentar o estado bruto da existência. Por que? Por Silvia Paladino Na alta altitude, a saturação de oxigênio no sangue cai drasticamente. Isso significa um golpe na quantidade de combustível de vida que é bombeado para todo o organismo. O coração bate mais rápido e o cansaço se instala ao sinal de mínimo esforço. Há a supressão das funções essenciais do corpo, como a digestão, pois toda a energia sai em socorro das reservas do sistema cardiorrespiratório. Para a medicina de montanha, as regiões mais elevadas do planeta se dividem em três níveis: grande altitude (entre 1500 e 3500 metros acima do nível do mar); altitude muito elevada (entre 3.500 e 5500 metros); e extrema altitude (acima de 5500 metros). Como uma máquina biológica programada para resolver problemas, o corpo humano pode se adaptar às alturas, produzindo mais células sanguíneas e, assim, mais veículos de transporte do oxigênio para as engrenagens orgânicas. Mas nenhum período de aclimatação permite ao ser humano viver permanentemente em altitude extrema. O céu não nos acolhe, apenas nos permite chegar temporariamente mais perto. Dia 27 de fevereiro de 2022, às 16h: cume no Barrancas Blancas, de 6.100 de altitude, nos Andes chilenos A morte é sempre uma possibilidade onde a vida não é bem-vinda. A morte vaga pelas montanhas como uma entidade onipresente e elegante, convidando os corações quentes a viverem o momento presente. Nele, repousam a dor de cabeça, o intestino em desordem, a tontura ao sair da barraca ou entrar nela, o chão de dormir rígido e desnivelado, as vias respiratórias ressecadas, o nariz que suja o papel de sangue, a saturação abaixo dos 80%, o aumento da pressão arterial, a redução dramática dos padrões de higiene da vida “civilizada”. No momento presente, o tempo é abundante e, o organismo, um marujo experiente que conserta o barco enquanto a tempestade invade o convés.  Nem a mais perfeita estratégia de aclimatação, porém, pode conter os fenômenos externos e extremos. Quando as tempestades rugem, os ventos aceleram, as avalanches largam e as pedras rolam, acredite, você não desejará estar lá para ver. Ainda assim, a montanha chama. Nos mais remotos, selvagens e extraordinários lugares do planeta, instantes de lucidez arrebatam os teus delírios mais convincentes. Nas alturas, você não precisa do que não precisa - imediatismo, jantares caros e taças de cristal são apenas tralhas que atrasam a jornada. Pesam. Envelhecem e fazem envelhecer. Eu desejo que você, um dia, permita-se experimentar o estado bruto da existência. Por que? Após nove horas de caminhada sobre terrenos duros, alcancei o cume do Barrancas Blancas, sob os olhos vigilantes e amorosos do pessoal do Gente de Montanha  Eu poderia repetir aqui uma série de tentativas genuínas e coerentes de responder essa pergunta: sentir a própria irrelevância diante de criaturas feitas de rocha e calor; por outro lado, ser digno do poder adquirido de chegar onde poucos estiveram; ou, ainda, superar-se física e mentalmente. Não há nada de errado nessas elaborações do pensamento. Mas elas sempre serão limitadas. Pisar no cume de uma alta montanha é só o passo final de uma construção de inúmeras etapas e sensações. É um processo puramente emocional, fruto de uma verdade inevitável: você é a montanha. Não está dentro, fora, abaixo ou acima dela. Nesse momento, você descobre a origem de todas as doenças, os dramas e as ilusões da mente humana. O que eu gostaria de lhe dizer, se você chegou até aqui, é que não tema, que não desanime, que não se iluda. Até que você se sinta confortável na própria pele, engrossada pela poeira da qual foi feita, percebendo a natureza agir acima da camada da consciência individual, até que você saiba que não há mais nada do que se libertar. Leia também: Pergunto, logo existo: uma conversa para quem não tem medo de não saber
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Transformação pessoal: 5 pensamentos que vão mexer com você

por Tissiane Vicentin

ja alguns dos insights de destaque do Innovation Forum On 2021, realizado pela ScanSource Brasil com curadoria de conteúdo da agência essense Por agência essense Já disse o ator, palhaço, empreendedor social e fundador do Doutores da Alegria, Wellington Nogueira: "A primeira transformação é a nossa”. Mestre de cerimônias do Innovation Forum On 2021, realizado em novembro deste ano pela ScanSource Brasil, o artista falou para uma audiência virtual de mais de 2 mil profissionais de TI, introduzindo o tema central do evento: "Transformar pessoas para transformar negócios". Mais de 20 especialistas de áreas diversas contribuíram com as grandes discussões do evento, centradas naquele que é o ponto de partida e fator determinante de qualquer mudança: o indivíduo. Entre os speakers, o destaque foi o historiador e professor Leandro Karnal, que falou sobre o protagonismo individual na transformação do negócio, além da pensadora digital Martha Gabriel, que, por sua vez, deu uma aula prática sobre inovação e criatividade na era digital. O Innovation Forum On teve apoio da agência essense na curadoria de conteúdo de impacto - o que pode nos tornar, por um lado, suspeitos para julgar; por outro, nos faz qualificados (e humildes) para opinar: as sessões do evento não faltaram com sinceridade, originalidade e ousadia. As trilhas de conteúdo foram mediadas pela Silvia Paladino, cofundadora da agência essense, Wagner Hilário, head de projetos da agência, e Cylene Souza, diretora-executiva da agência Lightkeeper. A seguir, deixamos alguns pensamentos levantados durante o evento e que mexeram com a gente - talvez, eles mexam com você também. 1. Sobre liderança, autoestima e exemplo “Quando falamos de ética, falamos de um grupo de pessoas. Dentro do corporativo, nesse sentido, é fundamental estabelecer parcerias – seja com o RH, com o jurídico ou outras áreas. Também é essencial ter uma comunicação clara e lembrar que nós, líderes, somos modelo, então temos sempre de liderar pelo exemplo”, sintetizou Vanderlei Ferreira, vice-presidente e general manager da Zebra, na trilha de Ética, que levantou a provocação "Por que é importante parar de fingir que você não viu". Já Flávia Ibri, head de RH da América Latina da IQVIA, multinacional de ciência de dados de saúde, destacou a correlação entre ética e autoestima: . “A autoestima é um conceito ético, não estético. É quase como um filtro interno da forma como a gente age. É nosso sistema imunológico emocional. Quando a gente está enfrentando um dilema ético, ter a autoestima em ordem vai dar forças para nos posicionarmos corretamente”, defendeu ela.  2. Sobre ser protagonista Para o professor Leandro Karnal, qualquer solução para as mais diversas situações cotidianas, seja no trabalho ou no âmbito pessoal, passa pela ideia de "protagonismo", ou seja, de se incluir como parte da solução – mesmo que o problema não tenha sido causado por você. "O protagonista não reclama. Ele propõe, atua e modifica, e sempre faz parte da solução e não do problema, porque do problema todos fazemos parte". Ele também nos lembrou que "uma das maiores virtudes de qualquer colaborador ou dirigente é a capacidade de aprender". Para Karnal, "quem não se atualiza, se fossiliza e fica atrasado em uma rapidez enorme". Por isso, mais do que nunca, implementar o lifelong learning, ou a habilidade de aprender ao longo da vida, é um dos pré-requisitos não apenas para se manter atualizado, mas para acompanhar o passo do mundo, que anda cada vez mais veloz. 3. Sobre promover a diversidade Transformar estruturas também é essencial para a transformação de negócios. Não à toa, assuntos como ESG se tornaram pautas estratégicas para muitas empresas. Dessas três letrinhas, o “S” (de “social”) é a que impacta diretamente as pessoas e foi foco do painel “Atitude inclusiva: a reprogramação da cultura organizacional”. Como explicou Tatiana Veneroso, desenvolvimento de parceiros cloud na Cisco, “muitas pessoas confundem, ou acham que são a mesma coisa, mas diversidade e inclusão são conceitos distintos e complementares. Quando falamos de diversidade, é comum ligá-la a fatores demográficos, mas vai além disso: está relacionada à raça, etnia, geração, diversidade cognitiva. Também é baseada em experiências de vida, de educação, ao emocional. Já inclusão significa trilhar estratégias para acolher diversidades e garantir que profissionais tenham oportunidades iguais de crescimento, dentro de um ambiente seguro.” Promover a diversidade também significa incentivar a diversidade de pensamento, como lembrou Marco Versignassi, diretor de vendas da Scansource Brasil, na trilha Liderança - "Antes da inovação, o pensamento crítico". "O nosso papel como líderes não é ter as respostas, mas sim dar suporte, especialmente nos momentos difíceis e de tomada de decisão. É empoderar pessoas para que elas tomem decisões, promover discussões abertas e a diversidade, não apenas de raça e etnia, mas de pensamento". Para dar ainda mais força à pauta, vale recorrer a números: segundo o levantamento "Diversity Wins",  da consultoria McKinsey, publicado no ano passado, empresas que apresentam maior diversidade de gênero em suas equipes de liderança possuem também 25% mais probabilidade de serem mais lucrativas. Quando a pauta é diversidade étnica, a probabilidade de lucro sobe para 36%. 4. Sobre desenvolver a empatia Muitas vezes, precisamos nos colocar no lugar do outro e entender os limites de todos, de forma a possibilitar a harmonia e fluidez nas relações humanas. "Por vezes, o outro vive uma situação que é estressante para ele, mas, para você, não é", comentou Márcia Muniz, diretora jurídica da Cisco, na trilha Autoconhecimento -  "A estafa do digital: evitá-la ou viver com ela?". "Eu tenho de saber me colocar no lugar dessa pessoa e entender se ela está passando por estresse, se precisa de ajuda", afirmou. O painel teve o embasamento científico da médica psiquiatra Maria Cristina Grilli, que ressaltou o princípio de uma mente e de um corpo saudáveis: “Não passamos o dia inteiro de estômago cheio ou vazio. Dormir é essencial, mas se você ficar 24 horas na cama também vai adoecer. Todo mundo precisa do sol para aumentar alguns hormônios e também da ausência de luz para controlar outros. A busca da saúde passa pelo equilíbrio”.  5. Sobre, por fim, inovar Essa é a palavra que está na boca de 100 em cada 100 executivos em cargos de liderança e, em especial, de empresas de tecnologia. Para um negócio, não importando o tempo em que ele existe, inovar significa se manter vivo e relevante ao longo dos anos. O desafio se torna uma constante se inseridas as mudanças que o mundo traz em termos evolutivos. Por isso, cada vez mais deve-se voltar ao básico para inovar. Para a futurista Martha Gabriel, inovar nem sempre significa inventar algo novo e disruptivo: "A invenção é uma das partes da inovação que envolve pesquisa e desenvolvimento (P&D). Inovar é focar em melhorar qualquer coisa que seja e, para fazer isso, você pode se inspirar, adaptar, substituir, ampliar, reduzir o que já existe". E completou: "nossa função não é inventar a roda, é fazer inovação com o que temos à mão, no dia a dia, de acordo com os problemas que temos." Quem corroborou com o posicionamento de Martha foi Rodrigo Guerra, sponsor do Projeto Unbox. Durante a trilha Liderança, o especialista em inovação afirmou que o processo de inovar "sempre remete a alguma engenhoca, alguma coisa futurista, mas fazer algo com mais eficiência e de forma diferente também é inovação". Para assistir às trilhas de conteúdo do Innovation Forum On 2021, acesse: https://innovation.scansourcelatam.com/login/student Leia mais Notas sobre autoconhecimento (e a estafa do digital)
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Notas sobre autoconhecimento (e a estafa do digital)

por Tissiane Vicentin

O que faz a roda funcionar para mim, todos os dias, é algo que se tornou um ritual matinal. Acordar. Alongar. Colocar uma música para tocar. Beber o cheiro do café quentinho. Pausar. Tissiane Vicentin Há um tempo eu vinha relutando em admitir meus encontros com esse amigo controverso – e aqui peço total licença para usar a palavra "amigo", por falta de uma melhor. Sabe aquela situação em que você sente um misto de vergonha e incredulidade, daquelas coisas que demoram a cair a ficha? Não, não era uma boa amizade, daquelas que faz você dar risada até a barriga doer. Era daquelas tóxicas, das quais você precisa cair fora ao menor sinal de desconforto. Mas eu não a deixei. E não foi por falta de querer. Foi por uma sucessão de 'não conseguir'. Não conseguir identificar quando começou, duvidar de quando continuou e não pedir ajuda, depois de aceitar que algo de errado não estava certo. Um meme para quebrar o gelo! Até que essa amizade me drenou tudo e me vi constantemente naquele lugar de permanente esgotamento mental (e, por vezes, físico). Não quero dar o nome que esse lugar tem, porque acho que a palavra já foi dita tantas vezes nos últimos tempos que temo usá-la e parecer vazia – tão vazia quanto eu senti minha mente ficar em incontáveis momentos nos últimos anos. Esse é um relato pessoal, você deve ter bem notado. E mesmo sendo extremamente meu, ele também é familiar a muita gente (outros 33 milhões de brasileiros, para ser mais exata).  Por todos esses motivos, o bate-papo de quinta-feira (11) no Innovation Forum ON - iniciativa da ScanSource com curadoria de conteúdo de impacto da agência essense -, justamente sobre autoconhecimento, me pareceu tão próximo. Você deve até imaginar qual foi o assunto principal: estafa. E não é qualquer estafa, é aquela proveniente do digital. O questionamento que permeou o papo, mediado pelo nosso head de projetos Wagner Hilário, foi o seguinte: evitá-la (aquela, a estafa do digital) ou viver com ela? A médica psiquiatra e pesquisadora da USP Maria Cristina Grilli disse a frase que mais sintetiza o que eu acredito que deva ser o "caminho da redenção": "A noção de saúde tem a ver com equilíbrio. Primeiro, precisamos entender como funcionamos. Nosso corpo não pode ficar parado executando uma única função. Por exemplo: dormir é essencial, mas passar 24h na cama adoece tanto quanto ficar 24h acordado. Poder respeitar esse balanço do corpo é a busca pela saúde, por esse equilíbrio." A seguir, compartilho três momentos, os quais me chamaram mais atenção durante o bate-papo e cujos tópicos e aprendizados esbarram com a minha própria busca pessoal. Espero que, de alguma forma, também ajude você na sua caminhada. Ser 2% mais monge No primeiro episódio do podcast Jornada da Calma, a jornalista e idealizadora do áudio-papo, Helena Galante, conta que, durante a entrevista realizada com o monge Satyanatha, tirou uma frase que, inclusive, deu título ao episódio: dá para ser 2% mais monge. Aliás, se você ainda não conhece o podcast, recomendo demais dar uma espiadinha. E ela explica: "A hora que eu estou cansada, depois de um dia de trabalho, mas ainda tenho mais uma reunião, eu posso escolher entre entrar nela de cara amarrada porque estou cansada, ou ser 'dois porcento mais monge', dar uma respirada, e entrar na reunião de uma forma diferente." O que eu tiro dessa frase e que dialoga com o que eu tenho aprendido – e tentado implementar na prática – nos últimos meses: não temos o controle de nada, exceto de como nos sentimos e reagimos diante de alguma situação. Problemas no trabalho irão surgir, imprevistos na vida que irão bagunçar toda a agenda que você trabalhou tanto para deixar organizada e cumprir à risca, também. Você pode ter um comportamento explosivo, sair quebrando tudo o que vê pela frente e xingar quem for - nada disso irá mudar a realidade. E o autoconhecimento entra nesse cenário como uma ferramenta essencial. Ou como Helena mesma sintetizou: "Se tivermos mais autoconhecimento, podemos fazer escolhas melhores e, diante disso, desfrutar de sensações mais prazerosas também no dia a dia. Porque, no fim, o que queremos é ser feliz." Não minimize Sabe aquela história que você acha que nunca vai acontecer com você? E, mesmo acontecendo, você não consegue acreditar? Pois é. A verdade é que "pode acontecer com qualquer um", como bem pontuou Maria Cristina, ao falar sobre como foi vivenciar o aumento de casos de depressão e ansiedade, especialmente durante a pandemia. E isso vale para qualquer doença mental. A lição mais importante, na minha opinião, para quem está passando por um momento delicado assim é: peça ajuda. Se você parar para pensar friamente na ocasião em que doenças mentais entram em cena, o primeiro julgamento é o nosso próprio. Portanto, quebre seus próprios preconceitos, respire fundo e vá. Para quem está próximo de uma pessoa que pode ter dado indícios dessa situação delicada, acolha. Nada de falar "vai passear, isso não é nada", uma das frases, inclusive, que Maria Cristina citou durante o papo e que se repete por aí quando a dor não é física. Só porque não é palpável, não quer dizer que não existe. Resiliência coletiva: o exercício de falar e escutar Indo um pouco para o lugar dos negócios, mas que também serve para outros aspectos da vida, um dos pontos da conversa foi diretamente sobre a pressão do trabalho. Na pandemia, vimos, inclusive, líderes colapsarem. Às lideranças, que são historicamente "colocadas em pedestais", é sempre bom lembrar: vocês também são pessoas. O que ficou de lição? Uma resiliência coletiva, como nomeou Márcia Muniz, diretora jurídica da Cisco. Do meu ponto de vista, essa resiliência pode ser definida por dois principais fatores: Falar o que sente, seja liderança ou liderado, é o primeiro passo para uma transformação interna e externa (aqui, conectando com o mote do evento "Transformar pessoas para transformar negócios").  "O líder é vulnerável. E se colocar vulnerável nos ajuda no processo de evitar colapsos e permite que liderados também se coloquem como vulneráveis. Se meu chefe diz que precisa parar, eu também me sinto mais à vontade para fazer o mesmo", afirmou Márcia. Além disso, se colocar em um local de escuta acolhedora é essencial. "Por vezes, o outro vive uma situação que é estressante para ele e, para você, não é", comentou a executiva. "Eu tenho de saber me colocar no lugar dessa pessoa e entender se ela está passando por estresse, se precisa de ajuda. Flexibilidade e empatia para um líder, hoje, é fundamental." Aprenda a desacelerar O que tem me salvado nos últimos tempos foi uma boa dose de terapia (e café, que não é lá muito recomendado para ansiosos, mas um problema de cada vez para resolver, não é mesmo?). Além disso, adotei algumas práticas já amplamente conhecidas por trazer equilíbrio: exercício físico e meditação. Mas o que faz a roda funcionar para mim, todos os dias, é algo que se tornou um ritual matinal. Acordar. Alongar. Colocar uma música para tocar. Beber o cheiro do café quentinho. Pausar. Essas são coisas que apliquei – na marra, vamos ser bem sinceros. E se eu puder encerrar este texto com um pedido a você, ele é: pratique o autoconhecimento. Somente assim você poderá identificar quando alguma coisa não está certa para você, identificar os seus limites pessoais e expô-los às outras pessoas. Leia também (Des)Aprendendo com o Exemplo: “Inovar é um ato de coragem” É sobre a vida que queremos ler, ver, ouvir e contar Pergunto, logo existo: uma conversa para quem não tem medo de não saber
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(Des)Aprendendo com o Exemplo: “Inovar é um ato de coragem”

por Tatiana Paiva

vo do setor de Saúde há mais de 20 anos, Rodrigo Guerra foge dos clichês e dá um passo atrás nos processos de inovação, tendo o pensamento crítico como ponto de partida de qualquer movimento transformador  Por Tatiana Paiva Esqueça os conceitos prontos de “fazer mais com menos” ou até a correlação entre obsolescência e inovação. Na prática, inovar é testar algo novo com alto potencial de dar errado. É correr riscos. É, acima de tudo, um ato de coragem. É isso o que pensa Rodrigo Guerra, executivo com mais de 20 anos de experiência no setor de Saúde, consultor de inovação, criador do projeto Unbox e CEO da UP Health. Detentor de duas habilidades que, não raro, são distintas no universo dos negócios - o pragmatismo do executivo financeiro e a ousadia do líder de inovação - Guerra foi superintendente da Central Nacional Unimed na fase mais crítica da pandemia da covid-19 - momento no qual conduziu inovações que permitiram um melhor uso dos recursos sem perdas para a equipe ou para a qualidade da assistência, garantindo à organização prêmios inéditos de excelência em gestão.   Sobre essas experiências e tantos (des)aprendizados, ele conversou com a Adriele Marchesini, nossa cofundadora, no episódio “Quem encaixotou a inovação foi você”, da série de lives (Des)Aprendendo com o Exemplo. Veja os pontos principais do bate-papo.  Inovar é fazer escolhas sabendo da possibilidade de errar. A inovação é um ato de coragem Oportunidades X erros  Rodrigo Guerra abriu o bate-papo pontuando sobre as mudanças impostas pela pandemia, como a migração geral para o digital muito antes do que era previsto. “E isso abriu possibilidades fantásticas, mas tudo que é irrefletido conduz a erros”. O novo resultou em grandes oportunidades em termos de trabalho e inovação, mas errar - e muito - faz parte desse processo. Não seja um gado digital E se o assunto é transformação, o objetivo principal deve ser se tornar um agente ativo para que ela aconteça. “Não dá para ser gado, ser guiado a todo momento por hábitos e tendências que não fazem sentido para você e não melhoram em nada o seu trabalho”.  As tendências podem até ser um norte do que é esperado pelo mercado, mas nem sempre elas estão de acordo com o universo do seu negócio. A tal da rota de saída da zona de conforto “Reinventar um negócio é uma medida muito corajosa quando você está em uma posição executiva em uma grande empresa. Significa abandonar o que dava segurança e testar algo que pode dar errado. Pode dar medo de tomar decisões e fazer algumas apostas, mas com o tempo você vai sendo treinado.” A inovação está em tudo... Guerra está sempre atento às tendências, e um de seus segredos é assistir a muitos filmes de ficção científica. “A ficção científica mostra muito mais os anseios de uma época do que a projeção de outras, então acaba sendo uma profecia autorrealizável. É preciso ter referências".  … em tudo mesmo! “A inovação não está em uma área, não está em um processo, está em um pensamento crítico”. Para o executivo, um erro muito comum das empresas é fazer a área de inovação à parte dos demais setores da empresa. “Inovar é parte da responsabilidade social do líder e vai além da modinha. É preciso criar uma escuta ativa e reunir pessoas com a percepção do que precisa ser inovado”. Cuidado com os modismos Para Guerra, toda palavra que vira um modismo tem potencial de ser subestimada, como é o caso da inovação. “Não é sobre correr atrás de tendências, nem fazer mais rápido e mais barato. Inovar é perceber necessidades e criar soluções que até então não tinham sido pensadas”.  Projeto Unbox  Guerra falou ainda sobre o Projeto Unbox, seu mais recente lançamento em parceria com a agência essense. “Esse é um convite para o diálogo, para a reflexão de incorporação de tendências nas nossas vidas. Para sermos donos de um destino, e não guiados por ele”.  O Unbox funciona como uma dose semanal de compartilhamento de conhecimentos que estimulam as transformações das pessoas, dos negócios e da sociedade. Conheça mais no site do Projeto Unbox e no instagram @projeto_unbox.  Lembra das referências citadas pela Adriele Marchesini durante a conversa? Elas estão aqui: Artigo sobre o exercício de imaginar o futuro (e sobre como isso é capaz de demonstrar os anseios de uma época) - Futurismo: O futuro é coisa do passado - Velhas representações e imaginações futuristasComo estar à frente dos concorrentes por meio da inovação? Neste livro: Dez Tipos de Inovação Quer saber mais? Dê o replay na live! https://youtu.be/0k80SSME82I Saiba mais: (Des)Aprendendo com o Exemplo: “Gente insensível não tem humor” (Des)Aprendendo com o Exemplo: “Ciência é um nome que assusta, mas é algo muito natural” (Des)Aprendendo com o Exemplo: “A vida é muito curta para gastar com pessoas ruins”, com Ken Fujioka
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Na vida e na escrita, errar é humano – e aprender também

por Camila Galvez

os os erros mais comuns na hora de escrever na internet e damos dicas para não cometê-los mais. Só vem! Por Camila Galvez* Ah, o português… considerado um dos idiomas mais complexos do mundo. E não sou eu quem está dizendo, mas a professora norte-americana Rebecca Jackson-Salado, do canal Minha professora gringa, neste vídeo aqui que viralizou há um ano. https://www.youtube.com/watch?v=qcjHG13KH2k Como jornalista e curadora de conteúdo de impacto, tenho uma confissão a fazer: de vez em quando eu também acho que o português machuca. Mas como errar é humano - e aprender também - separei alguns dos erros mais comuns de escrita, seja ela on ou offline. Fiz isso principalmente porque a agência essense está lançando o curso online “Personal Branding para a profissionais de Saúde”* e este texto é parte dos materiais de apoio. Mas também porque, independentemente de você decidir fazer o curso ou não, as dicas que vou dar aqui servem para inúmeros propósitos na sua vida, da carreira profissional à qualidade da cantada no momento da paquera.  Ainda se diz paquera? Enfim… errado não está. Vamos lá? A saga dos porquês Por que, por quê, porque ou porquê? Afff, por quê??? Para não errar mais, guarde essa colinha retirada diretamente do Brasil Escola.  Por que: tem o mesmo valor de “pelo qual”, “pelos quais”, “pela qual”, “pelas quais”, “por qual”, “por qual razão” e “por qual motivo”. Por quê: utilizado no sentido de “por qual razão” ou “por qual motivo”, leva acento quando ocorre no final de frase e antes de ponto-final, ponto de exclamação ou de interrogação.  Porque: devemos usá-lo quando queremos substituir expressões como “pois”, “já que”, “visto que”, “uma vez que” ou “em razão de”.  Porquê: só colocamos o acento se pretendemos utilizar um sinônimo de “razão” ou “motivo”. A tal da letra Maiúscula Errar é Humano, Aprender também. A letra maiúscula - ou caixa alta, como chamamos no jornalismo - em “humano” e “aprender” chamou a sua atenção? Não é porque ela é maior, não, mas porque está errada. Aqui tem um jeito lindo para não errar mais. Agente secreto "Agente já falou com ela". Não, por favor, não. A gente, assim separado, é uma locução equivalente ao pronome pessoal reto nós (a gente vai = nós vamos).  Agente indica uma pessoa que faz alguma coisa, como um agente secreto ou um agente da polícia. Tem algo errado, concorda? "Obrigada a todos e tenha uma boa semana". "Os profissionais não parecia entender a missão da empresa".  Nas mídias sociais, tendemos a adotar uma linguagem coloquial, mais descontraída e espontânea, o que acaba criando um relaxamento das normas gramaticais. Mas usar um discurso com concordância é o que dá clareza e objetividade à mensagem, especialmente se ela for profissional. E você quer ser entendido, não quer? Então, fique atento à concordância. No caso dos exemplos acima, se estamos falando de “todos”, o equivalente à segunda pessoa do plural (vocês), o verbo “ter” deve ser usado, também, no plural, ou seja, “tenham”. O correto é “Obrigada a todos e tenham uma boa semana”  A mesma lógica vale para a segunda frase, com o verbo “parecer” concordando com “os profissionais”, ou seja, com a terceira pessoa do plural (eles). O correto, portanto, é "Os profissionais não pareciam entender a missão da empresa". Cuidado com a vírgula Esse meme é auto explicativo. Vem aqui que têm dicas marotas. E tenha parcimônia no ponto de exclamação “Estamos todos muito felizes por mais essa conquista da nossa empresa!!!!!!!!” Imagino o nível de felicidade pela quantidade de pontos de exclamação da frase. Mas o ponto de exclamação, quando sozinho, já é por si só um sinal usado para exclamar algo. Ou seja, ele é empregado no final de frases exclamativas que expressam emoção, surpresa, admiração, indignação, raiva, espanto, susto, exaltação, entusiasmo, entre outros. Portanto, repeti-lo só uma vez e quando, de fato, se quiser passar uma das mensagens que eu citei, já é suficiente para se fazer entender. Tem/têm E falando em tem, aí está mais um clássico do português. “Tem” é fácil, ok, mas se o verbo “ter” está no plural, o chapeuzinho é fundamental (e perdão pela rima). Exemplo: “Vocês têm que aprender o que eu estou tentando ensinar.” Esse/este Volto ao Brasil Escola para explicar: "esse" e "este" são pronomes demonstrativos que têm formas variáveis de acordo com o número ou gênero. Eles são usados para indicar a posição dos seres no tempo e espaço em relação às pessoas do discurso. Dica pra não errar:  > Este, esta e isto são usados para objetos que estão próximos do falante. Em relação ao tempo, são usados no presente. > Esse, essa, isso são usados para objetos que estão próximos da pessoa com quem se fala. Em relação ao tempo, é usado no passado ou futuro. BÔNUS! Parece que eu gritei com você com essa palavra aí escrita em caixa alta, né? Esta é a primeira dica extra pra você: evite gritar na internet (ou escrever tudo em maiúscula).  A gente também te aconselha a Eliminar subjetividades Tudo o que o interlocutor tem para compreender a sua mensagem é o que está escrito. Portanto, seja claro. Eliminar clichês  Essas expressões banais enfraquecidas de significado pelo seu uso em excesso. Alguns exemplos: - ...é a sua paixão. - Que a justiça seja feita - Quem vê cara não vê coração Evitar expressões batidas no mundo da Saúde - Fechar com chave de ouro - Ultrapassar barreiras - Correr atrás do prejuízo - Que orgulho….que honra - Líderes do futuro - Novo normal E o campeão... - Com o perdão do clichê (!) Não usar palavras em excesso - e que não dizem nada “O fenômeno da Saúde” “O movimento da transformação digital” "No que diz respeito a" Cortar advérbios desnecessários Acariciar gentilmente, rejeitar totalmente, realmente único. Percebe como nestas frases os advérbios passam a mesma mensagem que o verbo? Afinal, se você vai acariciar alguém, será com gentileza. E se vai rejeitar algo, não dá para ser pela metade.  Sempre que quiser usar um advérbio, pense se ele terá, de fato, a função de modificar o sentido do verbo, acrescentando-lhe uma circunstância. O Brasil Escola tem outras dicas para você entender certinho quando usar. Evitar a falsa sofisticação - Jargões - Ordem indireta de frase - Sinônimos que sabotam o significado E você, tem algum erro que sempre vê por aí e que eu deixei de fora? É só mandar que atualizo a listinha por aqui, e a transformamos em um grande post colaborativo. *Se quiser mais informações sobre o curso, mande um e-mail para contenttraining@agenciaessense.com.br. Camila Galvez é jornalista com mais de 15 anos de estrada, tem especialização em jornalismo literário, ama livros dos clássicos aos pops, mora no mato e tem um zoológico em casa (da última vez que contou, eram 12 bichos, entre cães, gatos, patos e um galo!). É head de projetos na agência essense e se especializou em Saúde porque AMA o setor. Saiba mais:  Uma visão despretensiosa (e duvidosa) sobre 7 canais para sua estratégia de conteúdo A indústria da vulnerabilidade e da empatia no LinkedIn (Des)Aprendendo com o Exemplo: como (não) fazer conteúdo autoral
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