O que eu faria para tornar a vida um pouco melhor

por Silvia Paladino

Quando eu fizer referência a “você”, é comigo mesma que estarei falando. Mas, se funcionar para você (o outro ser humano, aí...
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(Des)Aprendendo com o Exemplo: “Gente insensível não tem humor”

por Tatiana Paiva

A humorista Verônica Debom fala sobre como usamos a comédia no dia a dia - inclusive, como válvula de escape para lidar com a dor Tatiana Paiva “A vida é uma comédia para quem vê e uma tragédia para quem sente. Tudo é uma questão de ponto de vista”. Profundo, não acha? E, também, real. Mas, já que o assunto era comédia, as risadas tiveram muito mais espaço no bate-papo da Verônica Debom, atriz, escritora e roteirista, com a Adriele Marchesini, nossa cofundadora. Em mais um episódio da série (Des)Aprendendo com o Exemplo, o tema da conversa foi  “Comédia é a colher de açúcar que faz o remédio descer”.  Além de refletir sobre a importância do humor do nosso dia a dia, Verônica falou sobre arte, sociedade e até cultura do cancelamento. Quer saber como foi a nossa live? Nós listamos os highlights por aqui. A arte intrínseca em nós “A gente é arte”.  Para a roteirista, somos artistas desde o nascimento: dançamos antes de andar, cantamos antes de falar. Nesse mesmo sentido, Verônica acredita que seguir o caminho da comédia não é exatamente uma escolha, é sobre ser. “Somos vítimas da comédia e, ao mesmo tempo, salvos por ela”.  Não é falta de sensibilidade, é comédia Será que a comédia é mesmo a habilidade de deixar as pessoas constrangidas? Verônica acredita que essa arte é uma forma de lidar com aquilo que não é de fácil “digestão”, uma forma de lidar com a dor. “Muitos comediantes estão acostumados a fazer graça com a própria tragédia e acabam parecendo insensíveis aos outros. Mas gente insensível não tem humor”. Arrependimento ou cancelamento A atriz acredita que o humor é um produto cultural e varia de acordo com o pensamento e construção da crítica da sociedade de cada época. Ao mesmo tempo, ela não se diz contra a cultura do cancelamento em relação a quem profere discursos carregados de preconceitos. “Eu acredito que quem sabe pedir desculpas continua tendo seu espaço”. Os dilemas da carreira de atriz “Mesmo na comédia, já fiz personagens com comportamentos que eu não concordo. Fiz coisas que não acredito, mas que precisava fazer. É uma constante negociação, uma verdadeira queda de braço entre cultura e sistema.” Quer saber mais? Dê o replay nos MELHORES momentos da live! https://www.youtube.com/watch?v=8mIPX1iXq3Q Saiba mais: (Des)Aprendendo com o Exemplo: “Ciência é um nome que assusta, mas é algo muito natural” (Des)Aprendendo com o Exemplo: “A vida é muito curta para gastar com pessoas ruins”, com Ken Fujioka (Des)Aprendendo com o Exemplo: “Quando tudo falha – o físico, o psicológico, o mental – você levanta e diz: eu não posso morrer aqui”
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É sobre a vida que queremos ler, ver, ouvir e contar

por Wagner Hilário

Quando se trata de livros sobre esportes e negócios, ir além da mesmice é muito mais do que inovar técnica e conceitualmente, é ter coragem de repartir a vida com o leitor, de desnudar, em histórias, a parte da alma humana que conseguimos iluminar por Wagner Hilário Apesar dos novos meios de compartilhar conteúdos, algumas velhas ferramentas parecem ungidas com a água sagrada do conhecimento atemporal. E o primeiro exemplo que me vem à cabeça quando penso nessas “ferramentas”, sem dúvida, é o livro. Sim, é verdade que o brasileiro, em geral, nunca foi muito dado à leitura, mas mesmo os que não leem respeitam um “tijolão” — mesmo um “tijolinho”. “Fulano de tal escreveu um livro” não é uma frase sem peso, pelo contrário. Porém, diferentemente das redes sociais, os recursos midiáticos associados a um livro são escassos, embora isso não signifique que ele seja uma ferramenta menor dentro de uma estratégia de marketing de conteúdo, por exemplo. Justamente por sua autoridade milenar, é comum que o livro se torne “o conteúdo dos conteúdos”. Antes que alguém me conteste sobre os parcos recursos midiáticos do livro, contrapondo aos meus argumentos a existência dos e-books, devo dizer que, por ora, os “kindles da vida’ ainda me parecem servir, essencialmente, para garantir que os amantes de livros físicos possam levar, às viagens que fazem, o máximo de títulos ocupando o mínimo de espaço nos bagageiros. Isso para dizer, no fim das contas, que o livro continua a ser, na maioria das vezes, um meio de comunicação baseado em texto e a maneira mais eficiente de “inovar” ainda passa pela escolha da abordagem textual. Nesse ponto, vejo pouca “inovação” — talvez “diferenciação” seja a palavra mais apropriada — no mercado editorial, sobretudo num segmento que acompanho mais de perto: o dos títulos que traçam uma relação entre esporte e negócios. Geralmente, os livros sobre negócios e esporte trazem um receituário “de sucesso”, uma lista de ações e comportamentos infalíveis ou uma análise definitiva dos pontos-chave da personalidade de um esportista de ponta ou de um empreendedor da mesma estirpe. Sem dúvida, a fórmula vende e, se vende, é porque tem seu valor. Mas, como fórmula, perde a genuinidade... Não quero dizer que não se possa nem valha a pena produzir livros assim; evidente que vale. Mas me parece um desperdício, quando falamos em esportes e negócios, seguirmos uma fórmula quando se tem nas mãos uma riqueza de vida com capacidade para aumentar ainda mais o potencial comercial da obra e, de quebra, ir além dos receituários “de sucesso”. Nesses casos, estou convencido, há muito tempo, que contar histórias ainda é a melhor forma (não fórmula) de fazer jus à riqueza, sumamente humana, desses temas. Jornadas Heroicas Há cinco anos, fui convidado a participar de um projeto de livro que tinha como principal objetivo trazer vida e emoção a uma teoria. O executivo e empreendedor Rodrigo Motta e o médico e empresário Wagner Castropil, ambos judocas — Castropil, inclusive, com uma participação olímpica em 1992 — tinham escrito uma obra chamada “Esportismo: valores do esporte para o alto desempenho pessoal e profissional”, que visava mostrar (e provar) que, por meio do esporte, é possível desenvolver competências que nos tornam mais aptos a viver e superar desafios da vida pessoal e profissional. A obra foi concebida em “moldes clássicos”, bem alinhada à proposta corrente de livros de esportes e negócios, mas trazendo alguns elementos que a enriqueceram do ponto de vista científico e a tiraram do lugar comum, como o resultado de uma pesquisa com mais de 100 profissionais, que revelavam a importância do esporte em suas vidas (carreiras). Porém, Motta e Castropil sentiram falta de vida nas páginas. Nas palavras de Castropil, “o livro havia ficado técnico demais e, quando se fala de esportes, é preciso trazer histórias: emoção”. Há muitas biografias de empresários e esportistas, mas não é comum uma obra que postula uma teoria, combinando esporte e negócios, ser toda concebida em narrativa biográfica. Contudo, para atender ao pedido de Castropil, não haveria outra maneira. Parti da seguinte premissa: toda a teoria é fruto de histórias de vida. Eu conhecia a história que Castropil e Motta tinham compartilhado — Motta como paciente e Castropil como médico — e não me restava dúvida de que ela, por si, ilustrava e justificava a teoria que tinham concebido. Porém, fomos além e, na obra, contamos mais seis histórias de personalidades ilustres do mundo dos negócios e do esporte. Assim, por meio de histórias que foram sendo escritas, nas páginas práticas da vida, muito mais intuitivamente do que como resultado da obediência racional a um receituário pré-concebido, a teoria emergia como produto natural de jornadas particulares, mas com muitos pontos em comum com a minha, com a sua... com a história de todos nós. A ideia, então, deixou de ser “técnica” e se descobriu, de fato, vida, como se almejava, e essa vida veio à luz sob o nome de “Jornadas heroicas: o esportismo como instrumento de aprendizagem na prática”. Mais que inovador, inevitável “Jornadas heroicas” não foi a minha primeira experiência literária nesse campo e devo confessar que, mesmo antes de escrever o primeiro livro nessa linha, eu já pensava como penso hoje. Isso porque contar histórias não é um recurso novo, embora, com certeza, seja atemporal. Não é inovador, mas há zilhões de maneiras de contar uma história e, nisso, é possível diferenciar-se. Por uma boa história, pessoas leem livros ou assistem a filmes cujo tema, em si, nada têm a ver com elas: o protagonista pode ser um contador, um traficante, um esportista, um cientista da NASA, um investidor…  Esse interesse só é possível porque antes de cada uma dessas alcunhas (traficante, contador etc.) está suprimida uma palavrinha para a qual ninguém ainda encontrou definição satisfatória e, possivelmente, jamais encontrará. Palavrinha que todos nós compartilhamos e, de alguma forma, entendemos sem saber explicar. Palavrinha contraditória, um mistério que jamais nos cansamos de tentar desvendar… Esse interesse só é possível porque antes de cada uma dessas alcunhas (traficante, contador etc.) pressupõe-se uma vida e é sobre a vida que queremos ler, ver, ouvir e contar.
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Ciência, sociedade e marketing: a interconexão que definirá a longevidade das empresas

por Cylene Souza

O rigor científico na busca de soluções para problemas complexos e o propósito de transformar nossas vidas para melhor me inspiram desde a adolescência. Em minha nova iniciativa, espero transmitir meu entusiasmo pelo conhecimento a um número cada vez maior de pessoas Cylene Souza Ao longo de muitos momentos em minha vida estudantil e profissional, tive a sorte de trabalhar com um tema que me fascina: o conhecimento científico. Tudo começou com o professor Sérgio, lá na sexta série: todos os meses, precisávamos escolher uma notícia de ciência nos jornais e fazer um resumo valendo parte da nota do bimestre. Com 12 anos, já tinha um professor que estimulava a interpretação de texto e a busca por fontes confiáveis de informação, ativos essenciais nos dias de hoje. Foi com ele também que fiz minha primeira dissecação: uma minhoca! Depois vieram diversas visitas aos laboratórios de química, física e biologia no Ensino Médio, sempre com aquele encantamento de ver a aplicação das sopas de letrinhas comuns a essas disciplinas na vida real. A decisão de dedicar minha carreira à produção de conteúdo foi muito inspirada por minha admiração pelo processo científico. Cursando jornalismo, aprendi que ter opinião ou viver uma experiência não são suficientes para validar minha narrativa dos fatos. É preciso seguir princípios: apuração com fontes confiáveis, checagem dos dados, rigor na escrita e, no máximo grau possível, neutralidade diante dos fatos, para que seja possível analisar a questão por todos os ângulos. No quarto ano da faculdade, quando precisamos fazer estágios obrigatórios para concluir o curso, a ciência apareceu novamente na minha vida de forma ainda mais pronunciada. Fui estagiar em uma editora que revisava e publicava dois periódicos da USP e diversos outros de sociedades de especialidades médicas. O vocabulário era difícil, os textos, muitas vezes, áridos, mas como eu aprendi! Se por um lado lamentava que esse conhecimento fosse compartilhado apenas entre os especialistas que liam aquele material acadêmico, por outro me entusiasmava ver como a pesquisa se desenvolvia no Brasil. A vida foi seguindo outro rumo, eu me despedi das publicações acadêmicas e fiz de tudo um  pouco: assessoria de imprensa para varejo, estratégia de comunicação para candidato político, cobertura geral em um grande jornal... E,  para minha alegria, depois veio a chance de escrever um bocado sobre Saúde. Foram mais de 10 anos me especializando no tema, abordando tanto aquelas tecnologias que salvam vidas quanto o impacto desse setor na economia, na política e na nossa forma de perceber o mundo.  Pela Saúde, ficou claro para mim que ciência, tecnologia e sociedade estão profundamente entrelaçadas: uma molda a outra de forma tão natural que nem percebemos. Já reparou  como os termos da medicina e da TI entraram no nosso vocabulário? E o quanto a ciência se esforça para resolver nossas grandes questões, como o aquecimento global, o câncer e a fome?  O problema, como aprendi no mestrado em Ciência, Tecnologia e Sociedade, na Universidade de Viena, é que temos uma imagem dos cientistas encastelados em suas torres de marfim, longe do que acontece nas ruas, e da ciência como obra de um gênio, que da noite para o dia inventa algo que transforma nossas vidas, para o bem ou para o mal.  Porém, hoje existe um esforço para mudar essa imagem e aproximar a comunicação científica do cidadão. Entre  os exemplos, temos o neurocientista Miguel Nicolelis com o podcast Diário do Front, o biólogo Átila Iamarino comandando o Nerdologia no YouTube e a Ana Bonassa, doutora em Ciências, e a Laura Marise, doutora em Biociências e Biotecnologia, desmistificando as descobertas científicas no canal Nunca Vi 1 Cientista.  Inspirada por esse movimento e por tudo que aprendi lá na Áustria, me juntei a duas outras fãs da ciência: a Silvia Paladino e a Adriele Marchesini. Há sete anos, nós fundamos a agência essense, focada em projetos de curadoria de conteúdo B2B. Quando fui morar em Viena, elas continuaram com o trabalho, conquistaram mais de 70 clientes e fizeram planos de expansão.  Nesse período em que a comunidade científica se reúne para produzir uma vacina em prazo recorde e se torna protagonista de discussões políticas, econômicas e humanitárias, nos reencontramos para fundar a Lightkeeper, o primeiro spin-off do grupo essense. Nós entendemos que a ciência vive um grande momento, apesar da pandemia, das fake news e da instabilidade política. E, mais do que isso, nós, como sociedade, também temos a chance de, a partir desse caos, construir algo novo. De sermos mais responsáveis e entendermos que fazemos parte de um ecossistema. Muitas empresas já perceberam isso e adotaram as práticas ESG, buscando contribuir com o meio-ambiente, entender seu impacto social e implementar políticas de governança adequadas ao seu papel na sociedade. A Lightkeeper, vem, então, para construir relações de confiança entre empresas e sociedade, iluminando o caminho neste mar de informações (muitas vezes falsas, outras tantas verdadeiras) e reconectando os cidadãos com a razão e a ciência, fortalecendo  o pensamento crítico. Mais do que isso, transparência e responsabilidade são atributos de marca exigidos pelos consumidores de hoje. A geração de negócios caminha lado a lado com o engajamento em temas de grande impacto para os cidadãos, como mostra a pesquisa Blueprint for Responsible Investment, das Organizações Unidas (ONU). Em uma análise de mais de 2 mil estudos acadêmicos desde 1970, a relação positiva entre desempenho ESG e retorno financeiro ficou evidente em 63% dos casos. Além de todo o rigor e seriedade, que apoiam meu aprimoramento como jornalista e reforçam o compromisso com a busca da verdade, a ciência também deixou outro ensinamento, talvez o mais importante. É trabalhando juntos de forma transparente, um passo de cada vez, que mudamos o mundo.
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(Des)Aprendendo com o Exemplo: “Ciência é um nome que assusta, mas é algo muito natural”

por Tatiana Paiva

O PhD Michel Soane explica a natureza do método científico, sua relação com o nosso dia a dia e a importância da ciência para superar epidemias - de vírus e de negacionistas Tatiana Paiva “Raciocínio científico é algo que vamos desenvolvendo, mas já nascemos com ele”.  Seja lá qual for a sua área de atuação, é bem provável que você tenha mais em comum com um cientista do que pode imaginar. Ou melhor, você pode até ser um cientista dentro da área que domina - como quando a curiosidade faz pesquisar mais a fundo sobre determinado assunto, ou quando entende padrões e os aplica aos métodos de trabalho, por exemplo.  Esses conhecimentos (e muitos outros) foram compartilhados pelo Dr. Michel Soane, PhD em Infectologia e gerente sênior de assuntos científicos da EUROIMMUN Brasil em mais uma live da série (Des)Aprendendo com o Exemplo. “Como a curiosidade e a construção de conhecimento podem nos salvar de devaneios, medos e pandemias?” foi o tema do bate-papo com a Silvia Paladino, que destacou a importância da ciência para lidar com momentos como o que estamos vivendo. Michel ainda falou sobre piores práticas que envolvem negacionismo e posicionamentos baseados em opiniões, não em evidências. Veja os highlights da conversa: Desconhecimento Para o pesquisador, a falta de ensinamento sobre ciência na educação formal é uma grande barreira. “Como a criança aprende? Ela observa, tenta fazer e descobre se aquilo dá certo ou não. O método científico atua da mesma forma, sempre baseado na observação, geração da hipótese e comprovação. Muitas vezes, perdemos esse senso por conta da nossa educação. Ciência é um nome que assusta, mas é algo muito natural”. O valor das perguntas “Com a observação das coisas sempre ficam enraizadas muitas perguntas, e é isso que nos move. O cientista tem um ideal muito forte, seja em qual área for: quer, de alguma forma, produzir conhecimento e ajudar a sociedade”. A desmistificação do pesquisador Soane acredita na capacidade científica do Brasil, mas lembrou, durante a live, que a academia ainda é um círculo bastante fechado. “A profissão de pesquisador não é regulamentada. Temos professor pesquisador e alunos pesquisadores. São esses dois grandes grupos que fazem ciência no país. Esse modelo precisa mudar. Hoje, para ser pesquisador, é preciso estar dentro de uma universidade (geralmente pública) ou dentro de uma empresa, e não deveria ser assim. Se a sociedade entendesse como a ciência é importante, veríamos que todos somos cientistas em nossas áreas”. Conhecimento baseado em evidências O cientista fala também sobre os questionamentos à ciência desde o início da pandemia. “Quando surge uma nova evidência, muda completamente o raciocínio, e muitos questionam: “ninguém sabe de nada”, “cada hora a ciência diz uma coisa”. Mas é assim que ela trabalha. As evidências caminham para um lado e depois podem caminhar para outro. A junção de a+b+c me leva a conclusões diferentes de quando eu sabia somente sobre a. Tudo isso é baseado em evidências, não em opiniões”. Cuidado com a pseudociência “Existe negacionismo dentro do próprio mundo acadêmico. Mas é importante destacar que a pseudociência não leva em consideração todas as variáveis que envolvem determinado fenômeno. A pseudociência até pode se basear em evidências, mas seus métodos não são muito confiáveis”. Quer saber sobre todos os assuntos abordados na live? Dê o replay na transmissão, que já está disponível no nosso IGTV! Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por agência essense (@agencia_essense) Saiba mais: (Des)Aprendendo com o Exemplo: “A vida é muito curta para gastar com pessoas ruins”, com Ken Fujioka (Des)Aprendendo com o Exemplo: “Quando tudo falha – o físico, o psicológico, o mental – você levanta e diz: eu não posso morrer aqui” (Des)Aprendendo com o Exemplo: “não existe planilha que não seja enganável”
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Pergunto, logo existo: uma conversa para quem não tem medo de não saber

por Silvia Paladino

No dia 29/06, terça-feira, converso com o Dr. Michel Soane sobre as dores e delícias de ser cientista - esse sujeito determinado a se aproximar das verdades da natureza Silvia Paladino Se você precisa formular uma boa pergunta, peça ajuda a um jornalista. Essa sempre foi uma ideia que me fascinou, desde a decisão de ingressar na faculdade de Jornalismo. No auge dos meus 17 anos de imaturidade, eu tinha, entre amigos e família, uma fama duvidosa: “Você gosta de ser do contra”, eles me diziam. Fui uma adolescente inutilmente rebelde? Em partes, sim. Mas, em minha defesa, não era só isso. Além de tirar qualquer um do sério, os meus incontáveis “mas e se…” também tiravam o ponto final da conversa para, no lugar, colocar um ponto de interrogação. A pergunta é a chave da busca pelo saber e pela lucidez. Ela nos leva a investigar a realidade e usar essa fantástica máquina biológica que a natureza nos deu - a nossa mente. No Jornalismo, volto a dizer, a apuração é uma habilidade crucial - e, arrisco afirmar, a mais difícil de ensinar. Não há editor capaz de salvar um texto de uma pesquisa preguiçosa ou de uma entrevista protocolar. Aprender a perguntar significa muitas coisas além do sentido óbvio da ação. Pressupõe lapidar o pensamento lógico, a sensibilidade e o poder de observação do entorno. Implica suspeitar das próprias crenças e brincar com o mistério, como uma criança que percebe o efeito de um travesso “por quê”. Certa vez, um jornalista perguntou a George Mallory, que tentou ser o primeiro escalador a alcançar o topo do planeta: “Mas, por que escalar o Everest?”. Mallory, que morreu na montanha em 1924, na sua terceira tentativa de chegar ao cume, respondeu: “Porque ele está lá”. O fascínio pelo saber tem mais ou menos a mesma origem: se pode haver, e muito provavelmente há, uma resposta, por que não desvendá-la? A minha trilha de formação em Jornalismo e, posteriormente, em escrita criativa de não ficção, me ensinou o que fazer com as informações que chegam até mim, a pensar com meus próprios recursos, a pegar leve nos pré-julgamentos e a não acreditar em gurus que dizem conhecer a verdade sobre as coisas. Mas foi na ciência que eu encontrei o sujeito mais determinado a se aproximar dos fatos: o cientista. Além de fazer da pergunta a razão da sua existência, o cientista integra uma comunidade que tem seus próprios mecanismos de autovigilância e correção, fazendo da ciência um extraordinário sistema de conhecimento, ainda que imperfeito. E o mais importante: ele nunca está pronto. Não é definitivo, nem dogmático, ao contrário da distorcida fama que a ciência carrega. É assim que ela inaugura campos de conhecimento, enxerga o que é invisível aos nossos nus e limitados olhos, cura e cria vacinas. Mas, então, por que a ciência é mal compreendida? Ao escrever este texto, eu até elaborei algumas hipóteses, mas o que eu tenho, mesmo, são dúvidas. Por isso, no próximo episódio da série "Des(Aprendendo com o exemplo)", vou conversar com o pesquisador Michel Soane, PhD em Infectologia pelo Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e líder do EuroHUB, centro de geração e divulgação do saber científico da EUROIMMUN Brasil. O que diferencia evidência de opinião, segundo o método científico? O que deveríamos saber sobre ciência desde a formação básica, mas não aprendemos? Como a curiosidade e a construção de conhecimento podem nos salvar de devaneios, medos e pandemias? O Dr. Michel, com toda a sua paciência e bagagem como cientista, nos ajudará a elucidar esses pontos intrigantes, além de contar sobre a sua própria trajetória, suas dores e alegrias como pesquisador e os paradigmas que precisou desaprender em sua carreira. Prepare a sua pergunta (mas capriche!) e coloque na agenda: “Pergunto, logo existo” com Dr. Michel Soane, PhD em Infectologia pelo Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e líder do EuroHUB 29/06, às 11h no instagram @euroimmunbrasil
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(Des)Aprendendo com o Exemplo: “A vida é muito curta para gastar com pessoas ruins”, com Ken Fujioka

por Tatiana Paiva

Na nova temporada da série, o comunicador falou sobre a descoberta de seu machismo cotidiano, a transformação e sua forma de reparação dos antigos comportamentos Tatiana Paiva “Eu sou machista desde que eu nasci”.  Estranho alguém admitir um defeito assim, né? Para Ken Fujioka, assumir esse comportamento faz parte de um processo de autodescoberta e do despertar para a desconstrução - caminho que já percorre há 10 anos. Com mais de 25 anos de carreira em publicidade, cofundador da Ada Strategy e coordenador de um grupo de discussão do Memoh, Ken acredita que a transformação veio da percepção diária. Para ele, a percepção diária sobre a bolha homogênea do mercado publicitário - majoritariamente formado por homens brancos  e ricos na liderança -, a convivência com mulheres feministas e a atuação em uma pesquisa sobre assédio no mercado de comunicação foram fatores fundamentais para uma mudança progressiva e crescente na forma de olhar para o machismo estrutural, masculinidades e seu papel na desigualdade de gênero. No dia 26 de maio, Ken participou do primeiro episódio da nova temporada da série de lives (Des)Aprendendo com o Exemplo. “Chega de viadagem: o falso e tóxico senso de masculinidade”, foi o tema que norteou o bate-papo com a Adriele Marchesini, nossa cofundadora. Abaixo, listamos alguns highlights e muitos (des)aprendizados dessa conversa. Conviva com o diferente “Essa convivência foi fundamental para que eu estourasse a bolha. Antes disso, machismo, racismo e consciência de classe eram apenas conceitos para mim. Nesses últimos 10 anos de despertar, essas pautas se tornaram preocupações diárias.” Masculinidade tóxica e machismo são sinônimos? “Não gosto de usar ‘masculinidade tóxica’ porque virou sinônimo de masculinidade, como se fosse a única possível - e existem diferentes masculinidades. O machismo é o preconceito e tem muito a ver com a ‘caixa do homem’, em que o único sentimento que o homem pode ter é a raiva.”  Faça uma autoanálise Você já pensou se pratica algum tipo de assédio, principalmente no ambiente de trabalho? “Eu me descobri assediador. Comecei a pensar em todas as vezes que fiz pessoas trabalharem até mais tarde indiscriminadamente. Os líderes precisam ter mais consciência, algo que pouco existe na publicidade. Entender isso e mudar é um ato de reparação.” Cuidado com a apropriação de lutas feministas Existe homem feminista? “Por mais que eu tente compreender, jamais serei empático à luta. Para ter empatia, precisa ser mulher. Os homens devem ser aliados do feminismo  - e fazer de tudo, menos dizer a uma mulher como ela deve se comportar.” Não se importe com a opinião alheia Com a mudança de comportamento, as pessoas também podem mudar o que pensam sobre você. “Sinceramente, não estou muito preocupado se as pessoas perceberam alguma diferença. Estou preocupado em fazer minha parte mais do que falar.” Se for preciso, mude seu círculo de amizades “Algumas pessoas faziam parte do meu convívio e hoje não fazem mais. Não é por mal, simplesmente não faz mais sentido por seus discursos. A vida é muito curta para gastar com pessoas ruins, nitidamente machistas, racistas, transfóbicas e classistas.” Assuma seu passado, transforme suas atitudes no presente e crie um novo futuro Não é preciso ignorar os erros que você cometeu, eles fazem parte do processo de mudança. “Assuma seu passado, sua responsabilidade e se pergunte o que você pode fazer para repará-lo. Para mim, é um processo de conscientização, responsabilização, questionamento e reparação.”  E teve muito mais durante a transmissão! Quer saber como foi o bate-papo completo? Dê o replay no nosso IGTV. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por agência essense (@agencia_essense) Saiba mais: (Des)Aprendendo com o Exemplo: “Quando tudo falha – o físico, o psicológico, o mental – você levanta e diz: eu não posso morrer aqui” (Des)Aprendendo com o Exemplo: “não existe planilha que não seja enganável” (Des)Aprendendo com o Exemplo: em vendas, o dom precisa de técnica e a técnica precisa de dom
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