Quem somos - minds in trees

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MindsInTrees é a área da agência essense na qual colocamos toda nossa energia na produção de projetos criativos e multiformato. Estamos falando de conteúdos narrativos - que podem ser livro-reportagens, biografias e memórias ou, até mesmo, videodocumentários. Nosso propósito é construir projetos de impacto e que deixem legado, por meio da arte e da narrativa de não-ficção

idealização

idealização

projetos originais e de impacto

multiplataforma

obras de fôlego (literatura e documentário)

essência

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escrita criativa de não-ficção (arte de perfis e biografias)

jornalismo literário (história de vida e humanização)

conteúdo autoral (memória)

audiovisual (arte do documentário)

realização

realização

definição de propósito e fio condutor

pesquisa de histórias e personagens

estrutura narrativa e roteirização (multiformato)

apuração/captação do conteúdo à redação e edição/finalização

estratégias de divulgação

Quem Somos

Sonhando com pipas

Biografia Adelson de Souza

Sonhando com Pipas é a biografia de Adelson de Sousa, empresário da comunicação, produzida pela essense e lançada pela editora M.Books em 2018.

O projeto teve duração de três anos, sendo dois deles voltados à imersão na história de vida do personagem e um à redação, edição e finalização da obra.

A obra faz parte do portfólio da área de projetos especiais da essense

To say the very thing you really mean, the whole of it, nothing more or less or other than what you really mean; that’s the whole art and joy of words

- C.S. Lewis

Anahp 15 anos

Idealização e curadoria de conteúdo para o projeto Anahp 15 anos (2016): produção de livro-reportagem centrada em narrativas de história de vida, vídeos teaser (storytelling) e vídeo de lançamento do projeto.

Anahp

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O que eu faria para tornar a vida um pouco melhor

Quando eu fizer referência a “você”, é comigo mesma que estarei falando. Mas, se funcionar para você (o outro ser humano, aí...

Quando eu fizer referência a “você”, é comigo mesma que estarei falando. Mas, se funcionar para você (o outro ser humano, aí desse lado, também avesso a receitas de vida), sinta-se contemplado.

Por Silvia Noara Paladino

“Preste atenção. Foque seus arredores físicos e psicológicos. Perceba algo que o incomoda, que o preocupa, que não o deixaria ser, que você poderia consertar, que você consertaria. (…) O que poderia fazer, e faria, para tornar a vida um pouco melhor?”

Eu jamais teria escolhido um livro com título clichê de autoajuda – “12 regras para a vida”. Mas, quando você presta atenção aos seus arredores, coisas imprevisíveis podem acontecer.

Esse texto é a minha resposta – de hoje – à pergunta acima, elaborada pelo psicólogo clínico canadense Jordan Peterson.

Um esclarecimento, antes: quando eu fizer referência a “você”, é comigo mesma que estarei falando. Mas, se funcionar para você (o outro ser humano, aí desse lado, também avesso a receitas de vida), sinta-se contemplado. Sente-se e fale comigo. De repente, elabore a sua lista e pendure-a em um mural, em um local em que você possa vê-lo todos os dias.

O que você faria para tornar a vida um pouco melhor?

Coloque suas ferramentas inatas no lugar que merecem

Salve a medicina, pois terapia e medicação poderiam parecer mágica, se não fossem ciência. Em certos momentos, você deve aceitar essa ajuda e confiar nela. Deve fazer o que deve ser feito, como alguém que cumpre uma lista de tarefas, decidido e concentrado. Depois, quando sentir que está pronto, pode agradecer o que esses recursos lhe proporcionaram – descanso, alívio e, por fim, o impulso de restauração individual – e colocar suas próprias ferramentas, novamente, no lugar que merecem.

Saiba que toda a estabilidade da qual você precisa vem de dentro. Não importa quanto tempo demore para ela lhe chamar. Coloque as suas ferramentas em ação. Todos os dias.

Escale o seu obstáculo

Autossabotagem existe. Ela afeta até os mais certos do que querem. Você sempre teve clareza sobre seus valores e sobre os próximos passos. Você trabalhou duro para isso. Poderia listar os fatos e as decisões que revelam a sua natureza. Que atravessam fases e flutuam sobre as ondas de mudanças das quais você tanto gosta. Tenha orgulho disso, mas não se esqueça do que Jordan lhe disse: “Você é, por um lado, a coisa mais complexa do universo inteiro e, por outro, alguém que não consegue nem mesmo ajustar o relógio do seu micro-ondas. Não superestime seu autoconhecimento”.

Naquele dia, eu vi você dar meia volta e despistar a recepcionista do ginásio de escalada, ao ver uma gente forte e avançada em ação, rastejando com elegância sobre aquelas paredes que você ama, mas que lhe encaravam com segurança. Eu sei, você não se importa com o erro, só não quer ninguém lhe observando quando erra. Você sabe o que eu estou dizendo.

Eu também vi que, em uma segunda tentativa, você cruzou a recepção. Colocou as sapatilhas. Descobriu o movimento que exalta as suas maiores forças.

Escale toda semana. Passe de nível. Pare de se autossabotar.

Não se afaste

Chega um momento em que os sentimentos de afinidade e identificação parecem se esgotar. Pessoas que até ontem se integravam à sua vida como peças que se encaixam sem esforço, preenchendo espaços moldados para elas, tornam-se, de repente, diferentes. Elas mudaram, ou talvez tenha sido só você. Elas chegam a lhe decepcionar, só por não serem mais quem você conheceu.

Não importa. Elas continuam a ocupar espaços para os quais não existe banco de reservas. E é muito pior quando essas posições estão vazias.

Permaneça ao lado delas, não importa quem elas tenham se tornado, ou quem você tenha se tornado.

Medite ao despertar

Sem pensar se quer, se deve, se pode. Sem se culpar pelo tempo que você perdeu ao negligenciar essa sua capacidade e o seu conhecimento, sabotando – novamente – suas forças. Meditar é técnica – séria, complexa, ancestral, quase mágica.

Sente-se na cama ao despertar e medite, menina.

Faça agora

Já falei para você que autossabotagem invade os seres mais autoconfiantes. Não é por acaso que a maioria das pessoas tem dificuldade de execução. Nos atos de realização, você se prova. Não no mundo das ideias. A imaginação nos faz criativos e sonhadores, mas não realizadores. Realização acontece na realidade. E é no mundo das coisas que existem e que experimentamos com os sentidos que você é feliz.

Faça o que é preciso, como quem cumpre uma lista de itens a colocar no carrinho do mercado, sem pensar se você encontrará a gôndola certa por conta própria, se o que procura estará lá, se estará dentro da validade, se terá estoque, se será a decisão certa.

Faça agora.

Tenha um carro (sob análise)

Para Jean-Paul Sartre, “todo homem está condenado a ser livre, pois, tão logo é atirado ao mundo, torna-se responsável por tudo o que faz”. Já Baruch Spinoza definiu que somente o conhecimento pode nos libertar. Ayn Rand, em um só pensamento, une nossa condição individual natural com a tomada de consciência: “Liberdade: não pedir nada. Não esperar nada. Não depender de nada”. A filosofia nos ampara, mas definir liberdade não é o mesmo que vivê-la.

A liberdade, quando vista no palco da realidade, troca de papéis sem o seu comando. Se você percebe que poderia dar uma definição diferente de liberdade a cada vez que tenta elaborá-la, não se preocupe – isso não é dúvida, é condição.

Se a sua condição inegociável no momento é autonomia, talvez você já saiba o que fazer. Durante anos, carro representou a você dependência e gasto inútil de recursos valiosos. Mas não se surpreenda se essa premissa houver mudado.

Tenha um carro. Assim que terminar e confirmar aquele maldito Excel.

Coloque o autocuidado em prioridade

Toda vez que você chega no consultório de um dermatologista e ele me pergunta quais são os seus cuidados diários, você se culpa e, na sequência, se justifica: “doutor, não tenho disciplina para passar protetor solar no rosto. Faço de vez em quando”. E isso é mentira, pois você praticamente nunca faz.

Garota, passe a porra do protetor solar. Marque o seu médico. Faça os seus exames. Não cancele o compromisso com você mesma porque apareceu uma reunião importante, ou porque – a verdade é – você odeia agendamentos.

Cresça.

** Essa é uma lista em construção. **

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A chama interior em meio a guerras sem fim

por Wagner Hilário

por Wagner Hilário

Nossa vontade de apontar dedos e denunciar culpados, em épocas de sangue e lágrimas jorradas de guerras que atingem em cheio nossa pretensa e preconceituosa civilidade, é tão intempestiva, possuída de ira e despida de empatia quanto as vozes que ordenam os primeiros e os últimos disparos.

Nosso desejo de julgar o mal no outro é um berro quase libertário. “Quase”… porque o grito não sai por inteiro da boca, deixa um refluxo de fel e guarda, na memória, uma voz impiedosa e sensata que nos sopra, do mais profundo inconsciente, a importância de pensar sobre como apedrejar os outros é uma maneira infantil de expiar a vileza que negamos em nós mesmos.

Como reza a canção “Todos estão surdos” de Roberto Carlos, “Não importam os motivos da guerra, a paz ainda é mais importante que eles”. Contudo, quando não se compreende a própria maldade, também não se compreende a própria bondade e nos perdemos numa pseudoverdade que justifica toda selvageria e aniquilação. 

Tenho a impressão de que é mais fácil ser sábio quando não se está sob a ameaça de mísseis de alta destruição, mas, ainda assim, deve haver muita sabedoria no front.

Certa vez ouvi o jornalista Lourival Sant’Anna, correspondente de guerra e, hoje, analista na CNN, dizer que, em conflitos, encontramos o pior e o melhor do ser humano: a maldade mais primitiva e a generosidade mais celestial. Recentemente, vi ucranianos alimentarem um soldado russo que havia se entregado. Deram-lhe também um celular. Aos prantos, ele ligou para a mãe para dizer que estava “tudo bem”. 

Eu tenho refletido sobre todas as razões geopolíticas que ensejaram a guerra russo-ucraniana, o que é contraditório, afinal, se “não importam os motivos da guerra”, por que, na prática, eles recebem mais consideração do que a própria paz? Deve ser porque acreditamos que eles possam nos ajudar, de alguma forma, a encontrar um caminho para ela. Pensando assim, concluo que temos procurado pelos motivos errados e me pergunto: homens capazes de compreender que o verdadeiro conflito deve ser travado e apaziguado dentro de si mesmos fazem guerra com o próximo?

A essa pergunta, alguém pode dizer: “Não me venha com esse papo furado”. Até pode ser “furado”, afinal, os tiros de uma guerra acertam muito mais do que alvos físicos. Mas essa visão desencorajadora não me convence. Se me convencesse, eu estaria fadado não apenas a testemunhar a tristeza fúnebre das mães órfãs de seus filhos e o ápice da miséria humana em uma guerra, também estaria fadado a não aprender nada com tudo isso, a não aprender nada sobre mim nem sobre nós.

Por isso, não me venham com “O ser humano não vale nada”. Esse distópico argumento é uma das retóricas mais covardes concebidas pelo senso comum para anestesiar as pessoas para a vida. Contra essa frase de destruição em massa, ando com as palavras da psicoterapeuta e escritora alemã Marie-Louise von Franz sempre engatilhadas e pronto para dispará-las: “É fácil ser um idealista ingênuo. É fácil ser um realista cético. Outra coisa é não ter ilusões e ainda manter a sua chama interior.”

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Não olhe para baixo

Eu desejo que você, um dia, permita-se experimentar o estado bruto da existência. Por que? Por

Eu desejo que você, um dia, permita-se experimentar o estado bruto da existência. Por que?

Por Silvia Paladino

Na alta altitude, a saturação de oxigênio no sangue cai drasticamente. Isso significa um golpe na quantidade de combustível de vida que é bombeado para todo o organismo. O coração bate mais rápido e o cansaço se instala ao sinal de mínimo esforço. Há a supressão das funções essenciais do corpo, como a digestão, pois toda a energia sai em socorro das reservas do sistema cardiorrespiratório.

Para a medicina de montanha, as regiões mais elevadas do planeta se dividem em três níveis: grande altitude (entre 1500 e 3500 metros acima do nível do mar); altitude muito elevada (entre 3.500 e 5500 metros); e extrema altitude (acima de 5500 metros). Como uma máquina biológica programada para resolver problemas, o corpo humano pode se adaptar às alturas, produzindo mais células sanguíneas e, assim, mais veículos de transporte do oxigênio para as engrenagens orgânicas. Mas nenhum período de aclimatação permite ao ser humano viver permanentemente em altitude extrema. O céu não nos acolhe, apenas nos permite chegar temporariamente mais perto.

Dia 27 de fevereiro de 2022, às 16h: cume no Barrancas Blancas, de 6.100 de altitude, nos Andes chilenos

A morte é sempre uma possibilidade onde a vida não é bem-vinda. A morte vaga pelas montanhas como uma entidade onipresente e elegante, convidando os corações quentes a viverem o momento presente. Nele, repousam a dor de cabeça, o intestino em desordem, a tontura ao sair da barraca ou entrar nela, o chão de dormir rígido e desnivelado, as vias respiratórias ressecadas, o nariz que suja o papel de sangue, a saturação abaixo dos 80%, o aumento da pressão arterial, a redução dramática dos padrões de higiene da vida “civilizada”. No momento presente, o tempo é abundante e, o organismo, um marujo experiente que conserta o barco enquanto a tempestade invade o convés.

 Nem a mais perfeita estratégia de aclimatação, porém, pode conter os fenômenos externos e extremos. Quando as tempestades rugem, os ventos aceleram, as avalanches largam e as pedras rolam, acredite, você não desejará estar lá para ver.

Ainda assim, a montanha chama. Nos mais remotos, selvagens e extraordinários lugares do planeta, instantes de lucidez arrebatam os teus delírios mais convincentes. Nas alturas, você não precisa do que não precisa – imediatismo, jantares caros e taças de cristal são apenas tralhas que atrasam a jornada. Pesam. Envelhecem e fazem envelhecer. Eu desejo que você, um dia, permita-se experimentar o estado bruto da existência.

Por que?

Após nove horas de caminhada sobre terrenos duros, alcancei o cume do Barrancas Blancas, sob os olhos vigilantes e amorosos do pessoal do Gente de Montanha 

Eu poderia repetir aqui uma série de tentativas genuínas e coerentes de responder essa pergunta: sentir a própria irrelevância diante de criaturas feitas de rocha e calor; por outro lado, ser digno do poder adquirido de chegar onde poucos estiveram; ou, ainda, superar-se física e mentalmente. Não há nada de errado nessas elaborações do pensamento. Mas elas sempre serão limitadas. Pisar no cume de uma alta montanha é só o passo final de uma construção de inúmeras etapas e sensações. É um processo puramente emocional, fruto de uma verdade inevitável: você é a montanha. Não está dentro, fora, abaixo ou acima dela. Nesse momento, você descobre a origem de todas as doenças, os dramas e as ilusões da mente humana.

O que eu gostaria de lhe dizer, se você chegou até aqui, é que não tema, que não desanime, que não se iluda. Até que você se sinta confortável na própria pele, engrossada pela poeira da qual foi feita, percebendo a natureza agir acima da camada da consciência individual, até que você saiba que não há mais nada do que se libertar.

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